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Não sinto tua falta.
Nem falta do teu cheiro
de perfume importado
que me exportou de mim.

Não sinto falta
do teu érre puxado,
nem do teu beijo
gosto-de-dente
que morde coração-envenenado.

Não sinto tua falta.
Nem falta do teu olhar barroco,
do teu gosto agressivo,
da dor que tu me provocas
feito extração de siso.

Não sinto tua falta.
NÃO SINTO.
Não lembro de você.
Nem da tua respiração ofegante,
nem do teu andar elegante,
nem da tua sorte disfarçada
de porta-que-encara-bunda-de-elefante.

Não sinto tua falta.
Sinto ânsia.
Distância.
Não sinto falta do teu deus-oriental,
do teu signo-preto,
do teu silêncio-grito
que me soa poema-lírico.

Sinto ânsia.
E a provoco.
E enfio meus dez-dedos
na garganta
pra ver se vomito teu ser
da minha alma.

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Começo me aquecendo os dedos ao escrever aquilo que não me era necessário. Não me era necessário porque creio que esteja virando passado. E quem é que gosta de viver de passados, não é mesmo? Me ponho a escrever pois me faltam palavras para exclamar que alguém esteja "me entregando de bandeja" . Aprendi hoje a diferença da dor e do sofrimento. A primeira está lá, sempre estará lá. Já o segundo é você quem escolhe sentir ou não. Hoje eu decidi não sofrer mais. A dor? essa estará lá, me aporrinhando. Mas o sofrimento eu não quero mais para mim. Não quero porque não mereço, porque no fundo eu sei que um dia isso será reconhecido. Você está sempre lá, sempre. Você está lá porque o amor é e por mais que a vida tenha me ensinado a seguir em frente, ela me ensinou que se deve lutar por aquilo que você ama. Eu ergui alguns muros na minha vida, mas eu lutei. Eu estive ali na frente, fazendo coisas que nem eu imaginava fazer. Na verdade imaginava sim, eu sei bem quem eu sou. Tem...