'Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei...'
CAF.
Ontem, domingo, faleceu uma pessoa muito especial, o tio Zéh. O mais querido, o mais legal, o mais caprichoso, o mais corajoso e o mais forte! Ele foi por descuido próprio e quando fomos ver, talvez já fosse tarde demais. Levá-lo as pressas para o hospital já não adiantou muito. A cirurgia parecia ter tido sucesso, mas nem sempre uma melhora significa uma graça. Ter passado o dia de ontem em necrotério, funerária e hospital não foi nada agradável. E hoje, foi a despedida. Uma dor sem tamanho que só quem já passou por isso, sabe como é. Costumo pensar nele como um super herói, que defendia sua fiel escudeira Roseira com unhas e dentes. Ele era engraçado e brabo, era o amigo pra todas as horas. O paulo que o diga, e minha casa tbm! Só de pensar que minha casa todinha foi ele quem construiu com suas próprias mãos... Lembro como se fosse hoje: o cimento, a terra, o machado e ele aqui dormindo todo santo dia! Até que ficou tudo lindão, como já era de se esperar. Nunca vi uma casa que ele te...
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